domingo, fevereiro 3

CHUVA


Michaël Borremans «Thunder» 2006, oil on canvas


CHUVA


Chove como sempre. E,
como sempre que chove,
as pessoas abrigam-se
(as que não estavam à
espera que chovesse);
ou abrem, simplesmente,
o chapéu-de-chuva – de
preferência com fecho
automático. Porque, quando
chove, todos temos de
fazer alguma coisa: até
nós, que estamos dentro
de casa. Vão, uns, até
à janela, comentando:
‹‹Que Inverno!››; sentam-se,
outros, com um papel
à frente: e escrevem
um poema, como este.

(Nuno Júdice)



in «Poesia Reunida 1967-2000», Dom Quixote, 2000


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