sexta-feira, abril 4

Navio Naufragado




Artur Lisboa Bual «Indício de Naufrágio», 1982

(óleo sobre platex)

- Museu Francisco Tavares Proença Júnior -






Navio Naufragado


Vinha de um mundo
Sonoro, nítido e denso.
E agora o mar o guarda no seu fundo
Silencioso e suspenso.


É um esqueleto branco o capitão,
Branco como as areias,
Tem duas conchas na mão
Tem algas em vez de veias
E uma medusa em vez de coração.


Em seu redor as grutas de mil cores
Tomam formas incertas quase ausentes
E a cor das águas toma a cor das flores
E os animais são mudos, transparentes.


E os corpos espalhados nas areias
Tremem à passagem das sereias,
As sereias leves dos cabelos roxos
Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos de videntes.



(Sophia de Mello Breyner Andresen)



in Obra Poética III, 1991

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1 Comentários:

Blogger Liana disse...

Lindo!

11 de fevereiro de 2009 às 10:21  

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